RJ: a marca que uniu Cabral, Prole e Antonio Bernardo

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O ano era 2012 quando mais um parceiro se juntava à euforia de um Rio de Janeiro que vivia um novo momento. Com direito à notinha na “Veja Rio” e tudo, o joalheiro Antonio Bernardo lançava uma pulseira com um símbolo que havia sido criado no ano anterior, pela agência de publicidade Prole, contratada pelo governo de Sérgio Cabral. Em meio a badulaques que significavam inovação, beleza, alegria, paz, a joia trazia a “Marca RJ“.

Agora, em 2017, olhar para trás e ver tudo o que rondava aquele símbolo formado por um círculo e as letras R e J é ver que, se na época ele chegou a ser considerado um ícone de orgulho do nosso estado para alguns, hoje é um verdadeiro atestado de otário. Desculpem- me meus dois leitores, mas preciso ser curto e grosso às vezes.

No Rio eufórico de 2012, a Marca RJ uniu Antonio Bernardo, a agência Prole e o governador Sérgio Cabral para comemorar o orgulho de um Rio feliz. Muitos embarcaram nessa onda. É preciso admitir que inclusive a imprensa comprou o símbolo. Ainda que não tenha sido diretamente na loja.

Para explicar o que envolvia esse trio, é importante começar recorrendo aos números. Criadora da Marca RJ, a Prole, através da Profissionais de Publicidade Reunidos (PPR), recebeu nada menos do que R$ 199,5 milhões enquanto Sérgio Cabral governou o nosso estado. Após sua saída do governo, foram mais R$ 30 milhões dados por Pezão.

E Antonio Bernardo? Ao mesmo tempo em que disseminava a marca de um Rio orgulhoso em suas jóias, sua empresa recebia do governo Cabral um total de R$ 21,1 milhões em isenções fiscais. Os benefícios estavam dentro de uma leva que ainda tinha, por exemplo, H.Stern e Sara Joias.

Aos poucos, o dinheiro do atual governo Pezão para a Prole foi minguando, em meio a uma crise financeira que em nada lembra o glamour da Marca RJ. De 2016 para cá, a agência praticamente não recebeu mais nada do estado (ainda que da prefeitura do Rio tenha levado mais de R$ 16 milhões no ano passado, mas isso é outra história). A agência agora tem seu nome volta e meia citado nas páginas dos jornais porque um de seus sócios, Renato Pereira, negocia, em meio a acusações de caixa 2 para campanhas políticas do PMDB, uma delação premiada.

Ah, já ia me esquecendo. Sim, todos sabem que Sérgio Cabral está preso desde o fim do ano passado. Nas investigações da Operação Calicute, o Ministério Público Federal descobriu que o ex-governador e sua mulher Adriana Ancelmo compraram mais de R$ 5 milhões em joias, pagando em espécie na Antonio Bernardo, conforme revelado por Chico Otávio no Globo, em novembro passado.

Daquela época de glamour no Rio, ainda é possível recuperar alguns vídeos na internet, como o que Antonio Bernardo mostra parte das etapas da criação de uma joia com a Marca RJ. Tenho curiosidade de saber se Cabral ou Adriana guardavam alguma dessas no armário.

O site criado pela Prole para disseminar o orgulho do Rio na gestão Cabral, com o sugestivo nome “Novo RJ” (novorj.com.br), agora está fora do ar.

Pode ser que não haja mais grana para pagar o servidor. Digo, o servidor de internet do site. Ou não. Enfim, vocês entenderam…

Sigamos.

3 comentários sobre “RJ: a marca que uniu Cabral, Prole e Antonio Bernardo

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